Um levantamento da ForwardKeys (an Amadeus Company) traz um panorama completo sobre a evolução da malha aérea no Brasil entre 2015 e 2025. O estudo mostra quantos voos e assentos foram ofertados em cada Estado, comparando momentos importantes: o pico de 2015, o período pré-pandemia em 2019, os números de 2024 e a situação atual em 2025.
Apesar de avanços recentes, o País ainda não retomou o volume de voos domésticos de dez anos atrás. Em 2015, o Brasil registrou seu recorde histórico, com 916.739 voos. O segundo maior patamar foi em 2018, com 802.503 voos, seguido por 2019, com 799.788. Hoje, entre voos já realizados e programados até dezembro, o número é de 784.969, o que ainda significa um déficit em relação ao pré-pandemia.
Em contrapartida, quando se analisa a quantidade de assentos, os números estão mais próximos do recorde. Em 2015 foram 128.528.242 assentos ofertados, enquanto em 2025 o número já chega a 126.571.208. O pior cenário aconteceu em 2020, durante a pandemia, com apenas 59.249.018 assentos disponíveis. Desde 2024, porém, o volume já supera o pré-pandemia (118 milhões em 2019).
Estados com mais voos em 2025
O Estado de São Paulo lidera o ranking nacional, com mais de 257 mil voos, o que representa 32% do total brasileiro. Somados, seus três grandes aeroportos – Congonhas, Guarulhos e Viracopos – oferecem mais de 42 milhões de assentos, equivalente a 33% da capacidade nacional.
Na segunda posição aparece o Rio de Janeiro, com 72.271 voos em 2025. Apesar de ainda abaixo dos níveis de 2015 e 2019, houve uma retomada significativa, especialmente após a revitalização do Galeão, que em setembro de 2024 registrou crescimento de 185% na movimentação em comparação ao ano anterior.
Em terceiro lugar, Minas Gerais soma 68.859 voos e mais de 8,9 milhões de assentos. O Estado já superou os níveis de 2015 em assentos e está muito próximo de alcançar o número de voos de dez anos atrás.
No Sul, o Rio Grande do Sul ainda sofre os impactos das enchentes de 2024, que reduziram drasticamente a malha aérea local. Em 2025, estão previstos 30.216 voos, bem abaixo dos 40.803 de 2015, mas já muito acima dos 19.221 registrados no ano passado. O aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, reabriu em outubro de 2024 e atualmente opera com 81 voos diários, podendo chegar a 128.
Recuperação desigual entre os Estados
De todos os 27 Estados, apenas dez já conseguiram superar os números de 2015: São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Santa Catarina, Goiás, Alagoas, Paraíba, Sergipe, Acre e Roraima. Os demais ainda enfrentam defasagens, alguns com quedas superiores a 50% na quantidade de voos.
O estudo detalha a evolução de cada Estado:
- São Paulo mantém liderança absoluta, com 257.217 voos em 2025 e mais de 42 milhões de assentos, superando largamente os dados de 2019.
- Rio de Janeiro perdeu relevância em relação a 2015 (104.182 voos), mas mostra sinais de recuperação, embora ainda abaixo do pré-pandemia.
- Distrito Federal decepciona, com 54.177 voos em 2025, bem menos que os 76.233 de 2015.
- Minas Gerais já ultrapassou os assentos ofertados em 2015 e 2019, com 8,9 milhões, e se aproxima da marca histórica em voos.
- Bahia é destaque no Nordeste, mas ainda distante de 2015 em número de voos (51.217 contra 41.633 atuais).
- Paraná segue como o maior do Sul em conectividade, mas também perdeu espaço frente a 2015.
- Pernambuco cresceu fortemente: em 2025, soma 38.724 voos e mais de 6 milhões de assentos, superando todos os anos anteriores.
- Rio Grande do Sul busca recuperar os efeitos da crise climática, mas ainda está distante de seus melhores números.
- Santa Catarina apresenta evolução positiva e já ultrapassou 2015 em número de assentos.
- Ceará sofreu retração expressiva e pode ser ultrapassado pelo Pará em breve.
A lista segue mostrando Estados que ainda não recuperaram plenamente sua malha, como Mato Grosso, Amazonas, Maranhão, Rio Grande do Norte e Piauí, e outros que surpreenderam com crescimento, como Alagoas (9.672 voos em 2025 contra 7.332 em 2015) e Paraíba, que também avançou acima da média.
Em contrapartida, Rondônia, Tocantins, Amapá e Mato Grosso do Sul aparecem entre os que mais perderam conectividade aérea ao longo da última década.
Conclusão
O panorama da aviação doméstica em 2025 mostra um Brasil que conseguiu recuperar a capacidade de assentos ofertados, mas que ainda não atingiu o mesmo volume de voos de 2015. Enquanto alguns Estados, como São Paulo e Pernambuco, ampliaram suas operações, outros seguem em processo de retomada lenta. Apenas dez unidades da federação superaram a malha de uma década atrás, confirmando que a recuperação da aviação brasileira é desigual e depende fortemente das condições econômicas, da infraestrutura aeroportuária e de fatores externos, como políticas públicas e eventos climáticos.
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